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Direção do Santander é conivente com exploração de trabalhadores por terceirizada
28/09/2018
Com o conhecimento do banco, prestadora de serviços Network (antiga Scor) demitiu em julho cerca de 30 funcionários, a maioria com mais de 15 anos de serviços prestados

A Network (antiga Scor), prestadora de serviços exclusiva do Santander, demitiu, com conhecimento do banco, cerca de 30 funcionários no dia 30 de julho deste ano. Antiga conhecida dos tribunais, a terceirizada mudou de nome, mas continua com velhas práticas que lesam os trabalhadores. Desta vez, contudo, a Network/Scor passou dos limites. Contratou uma empresa de mediação (câmara arbitral), que dividiu as verbas rescisórias dos ex-funcionários em até 25 vezes.

Os trabalhadores da empresa, então, procuraram o Sindicato dos Bancários de São Paulo para intervir junto ao Santander, que tem responsabilidade subsidiária. A direção do banco, todavia, não se empenhou em atender às reivindicações e demonstrou total desprezo em relação aos funcionários que há anos realizaram com afinco a atividade bancária.

As homologações ocorreram sem o acompanhamento do Sindicato. “Um verdadeiro assalto ao direito dos trabalhadores”, afirma Silmara Silva, dirigente sindical e bancária do Santander. “Os acordos realizados nessas câmaras são no mínimo duvidosos. Os trabalhadores não têm outra alternativa se não aceitar, pois têm contas a pagar. O Sindicato, mesmo não representando esses terceirizados, oferece todo o apoio e assistência aos demitidos”, acrescenta a dirigente.

A Scor já foi denunciada por fraude trabalhista junto ao Ministério do Trabalho. “A empresa terceirizada já cometeu verdadeiras atrocidades e descumpriu obrigações trabalhista, entre elas descontar do holerite o INSS sem repassar à Previdência, lesando os trabalhadores e também a União, o que já é inadmissível. Agora, mais um acinte, que é parcelar em até 25 vezes as verbas rescisórias, diluindo nas parcelas, inclusive, a multa do FGTS”, enfatiza a dirigente e bancária do Santander Silmara Silva.

A dirigente lembra que os bancos são os principais articuladores da reforma trabalhista encomendada pelo setor patronal. O banco, segundo Silmara Silva, será também responsabilizado pela prática da empresa terceirizada.

“Isso é mais um exemplo do que as empresas, amparadas pela reforma trabalhista, são capazes de fazer com os trabalhadores. Nestas eleições, temos de eleger candidatos comprometidos em revogar essa medida nefasta que tanto prejudica a classe trabalhadora e o país”, acrescenta Silmara.

Dos demitidos, apenas uma ex-bancária terceirizada que prestava serviços para a área contábil do Santander, não assinou o acordo proposto pela câmara arbitral. Abaixo, ela faz um relato dos desmandos e arbitrariedades cometidas pela Scor com a conivência do Santander ao longo de quase 20 anos.

Como funcionária terceirizada, eu ganhava um terço do salário dos bancários, e não tinha os benefícios da categoria. Cheguei a fazer junto com outras duas colegas, faxina na Scor. Na época, o Sindicato divulgou na Folha Bancária, e a empresa contratou faxineiras no dia seguinte. De 2001 a 2002, a Scor descontava o dinheiro do INSS em folha de pagamento, mas não repassava à Previdência. Descobri isso ao dar entrada na aposentadoria. Quando fomos mandados embora, no dia 30 de julho, o diretor da Scor falou que o nosso salário estava alto. Disseram que a homologação, que deveria ser feita em até 10 dias, atrasaria e seria realizada em uma câmara arbitral. No fim de agosto, após quase 30 dias da nossa demissão, fomos à câmara arbitral, um prédio no número 1.159 da Avenida Paulista. E lá fomos informados que a empresa pagaria o que nos deve de 15 a 25 vezes. E que começaria a fazê-lo somente em janeiro de 2019, pois os funcionários, até lá, poderiam contar com a verba do seguro-desemprego. Não assinei e, por isso, não cheguei a dar a entrada no seguro-desemprego. Em agosto mesmo, eles depositaram a primeira das 25 parcelas estipuladas na minha conta, mesmo sem eu ter assinado o acordo. Os colegas assinaram, pois precisavam de dinheiro. Percebi que a multa do FGTS, de 40%, também estava diluída nas parcelas. Alguns já começaram a receber, inclusive, mas a Network disse que suspenderá o pagamento no fim do ano para arcar com o 13º salário e férias de seus atuais funcionários. Na arbitragem, após ouvir todos esses absurdos e acintes contra os trabalhadores, a advogada ainda me falou: ‘Você vai para casa e pensa. Se abrir processo contra a empresa, sabe que eles irão parcelar as dívidas’.” (Fonte: SP Bancários)  

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