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"Bradesco mira R$ 1,6 tri de brasileiros nos EUA ao comprar banco na Flórida", diz presidente
07/05/2019
Com aquisição, segmento do banco voltado à alta renda dobra de tamanho

Em uma iniciativa para atender melhor clientes do segmento de alta renda que investem no exterior, o Bradesco fechou a compra do BAC Florida, nos Estados Unidos, por US$ 500 milhões (quase R$ 2 bilhões).

Além disso, o banco mira os quase US$ 400 bilhões (R$ 1,6 trilhão) que brasileiros têm investidos nos EUA. Dos 10 mil clientes do BAC, 20% são brasileiros.

Com essa aquisição, o segmento Private do Bradesco praticamente dobra de tamanho dos atuais 13 mil correntistas de altíssima renda.

O BAC servirá de estrutura para a oferta de investimentos, crédito imobiliário e também serviços bancários aos clientes do Bradesco, especialmente aqueles que vieram do HSBC, afirmou à Folha o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari.

A operação ainda depende do aval de órgão reguladores no Brasil e nos Estados Unidos. Essa é a primeira aquisição de instituição financeira feita pelo Bradesco desde a compra do HSBC no Brasil, aprovada em 2016.

À época, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) impôs um prazo de 30 meses para novas compras.


O banco não está pagando caro por uma estratégia isolada de investimento no exterior?

A aquisição não é um valor tão relevante, e é por um banco que está bem estruturado e dá retorno [sobre o patrimônio líquido] de quase de 16%, patamar elevado para o mercado americano.

O cliente de alta renda tem muitos produtos e serviços dentro do banco, diferentemente do varejo, então existe uma possibilidade de fidelização muito grande. Mas faltava para a gente ter a presença internacional, para que pudesse atender esses clientes de forma rápida.

Alguns clientes que vieram do HSBC sentem a falta disso, a aquisição desse banco vem suprir essa carência.


Com a competição no setor de alta renda trazida pelas corretoras, o banco via risco de fuga de clientes?

Não digo que havia fuga, mas talvez a gente não tivesse o total de investimentos dos clientes.

O investimento [no BAC] vem para proteger e aumentar o relacionamento dos clientes no Brasil, sem perder de foco que estudos estimam US$ 1,5 trilhão (R$ 6 trilhões) latino-americanos investidos nos EUA.

e brasileiros, são US$ 400 bilhões (R4 1,6 trilhão). É um mercado bastante promissor.


O banco pretende fazer outras aquisições no exterior?

Não. Como na Europa a gente tem agência em Luxemburgo, a principal carência [EUA] está suprida.


Quantos clientes o Bradesco pretende incorporar?

Dos clientes do BAC, 20% são brasileiros, e 10%, americanos. E, no Brasil, podemos trazer investimentos de clientes que já são nossos, mas estão em outros bancos.


Quando o Brasil atravessa crises, a tendência é que mais investidores procurem levar recursos para o exterior. O sr. entende que é o caso do cenário atual?

Não diria que é por causa disso, mas todo cliente que tem alto volume de investimentos tem como boa prática a diversificação. E com a taxa de juro a 6,5% é natural que as pessoas procurem investimentos em dólar.


Qual é a avaliação do sr. sobre a atual situação da reforma da Previdência?

Acho que as coisas entraram nos trilhos. Na visão mais otimista, deveria ser votada no primeiro semestre, mas a gente acha que fica para fim de agosto ou setembro.


O sr. afirmou que a economia não pode ser menor que R$ 1 trilhão em dez anos. Ainda é factível, depois de o presidente Bolsonaro já ter admitido um corte menor?

A gente tem de buscar R$ 1 trilhão. É importante não só pelo fato de ser R$ 1 trilhão, mas pelo que vai representar para o país, para que a gente possa entrar em ritmo de crescimento sustentável.

Com uma reforma abaixo, vai ter de rediscutir medidas em cinco anos. Já que temos a oportunidade, devemos insistir em reforma mínima desse valor. (Fonte: Folha de S. Paulo)

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