Sindicato dos Bancários de Mogi das Cruzes e Região
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Bancos e empresas querem Home Office permanente para retirar direitos e reduzir salários
25/06/2020

As diretorias do Santander e do Banco do Brasil já sinalizaram que o Home Office, necessário em tempos de isolamento social em função da pandemia do novo coronavírus, veio para ficar. O problema é que por trás da ampliação deste modelo de trabalho está o indisfarçável interesse de banqueiros e grandes empresários de extinguirem direitos e reduzirem os ganhos salariais dos trabalhadores. É a velha lógica do capital de reduzir custos para acumular mais lucros, mesmo que isso represente a exploração do trabalho até as últimas consequências.

“Os bancos e empresas perceberam com a tragédia da pandemia que através da elevação da exploração do trabalho via Home Office eles poderão reduzir custos dispensando locação ou compra de imóveis e o pior, tentando fazer com que o trabalhador abra mão de direitos como os tíquetes refeição e alimentação e aceite a redução de salários. No setor financeiro nós não vamos aceitar mais este brutal ataque contra a categoria e cobramos a abertura de negociação com a Fenaban”, afirma o vice-presidente do Sindicato dos Bancários do Rio Paulo Matileti.

Mais gastos para o empregado

O sindicalista disse ainda que o trabalho em casa pode representar redução de despesas para a empresa, mas eleva os gastos do empregado com luz, água, internet, papel e impressão. “Cortar o vale alimentação seria um absurdo. Como o empregado vai comer com salários que, no Brasil, mal dão para pagar a conta ? E a situação agora é ainda pior com o mais alto custo de vida da história imposta pela política econômica do Governo Bolsonaro e pela crise da pandemia”, destaca.   

Declarações preocupantes

A má fé do empresariado pode ainda ter o amparo de setores do Judiciário. Segundo matéria do Valor Econômico na segunda-feira, dia 22 de junho, o presidente do Tribunal Regional do Trabalho do Rio, José Fonseca Martins Júnior afirmou que “não faz sentido com Home Office, o trabalhador receber os vales refeição e alimentação. O magistrado disse ainda “que se a gente matar as empresas vamos estar matando também os empregados” e que “o Judiciário vai precisar ter equilíbrio na interpretação das normas”.

A posição do juiz preocupa as entidades sindicais. “A verdade é o inverso desta afirmação. Se o governo matar os trabalhadores não haverá empresas. Quem produz toda a riqueza é o trabalho e a pandemia deixa clara a realidade de que sem a classe trabalhadora não existe produção”, explica Matileti.

O isolamento social, necessário em função da pandemia, reforça a tese de que não há produção sem a classe trabalhadora. “Não é à toa que Bolsonaro e os grandes empresários pressionam tanto para que os empregados voltem a trabalhar, mesmo que isso custe a vida dos trabalhadores. Confiamos na Justiça do Trabalho que tem o papel social moderador de garantir a proteção do lado mais frágil na relação entre capital e trabalho, que é o trabalhador. Uma declaração como esta é extremamente preocupante”, acrescenta o vice-presidente do Sindicato. (Fonte: Bancários Rio)

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